O governo do estado de Schleswig-Holstein, na Alemanha, está consolidando um dos projetos mais ambiciosos de soberania digital da Europa: a migração de 30.000 estações de trabalho para o LibreOffice. Mais do que uma simples troca de software, esse movimento oferece lições valiosas para órgãos públicos e a iniciativa privada no Brasil sobre viabilidade e eficiência.
Viabilidade Real e Economia de Escala
A migração prova que o LibreOffice é perfeitamente capaz de sustentar operações complexas de larga escala. Ao adotar uma solução de código aberto, o governo alemão estima uma economia milionária em taxas de licenciamento, liberando orçamento para investir no que realmente importa: a infraestrutura local e o treinamento de pessoas.
Independência Tecnológica e Padrões Abertos
Um dos pilares deste projeto é a adoção de padrões abertos (ODF). Para o setor público e empresas privadas, isso significa:
- Fim do Vendor Lock-in: Você não fica refém de um único fornecedor ou de mudanças arbitrárias de preços e termos de uso.
- Soberania de Dados: O controle total sobre os arquivos e o código-fonte garante que informações sensíveis não fiquem sujeitas a termos de privacidade de terceiros.
- Interoperabilidade: O formato aberto garante que os documentos criados hoje permaneçam acessíveis e editáveis por décadas, independentemente da evolução do mercado.
Segurança e Inovação
O ministro da Digitalização de Schleswig-Holstein enfatizou que o software livre é um pilar para a segurança cibernética e a inovação. Ao abrir o código e utilizar padrões transparentes, o estado fortalece sua infraestrutura contra vulnerabilidades e promove um ecossistema digital mais resiliente.
Suporte Especializado e Capacitação Interna
Um mito comum é que o software livre carece de suporte. O modelo alemão demonstra o contrário: o estado conta com a expertise da Dataport (provedora pública de TI) e a colaboração de empresas do ecossistema, como a Allotropia (agora parte da Collabora).
Esse modelo permite que o suporte seja profissionalizado e que a equipe interna seja capacitada para manter e customizar o software, gerando conhecimento dentro da própria organização em vez de apenas “alugar” tecnologia.
O Futuro é Aberto
O exemplo de Schleswig-Holstein — que integra o LibreOffice ao Nextcloud e caminha para o uso do Linux (KDE Plasma) — mostra que o ecossistema de código aberto está maduro, é seguro e, acima de tudo, financeiramente sustentável.
Um Exemplo para o Brasil
O sucesso desta migração na Alemanha serve como uma “prova de conceito” para órgãos públicos e empresas brasileiras. Ela mostra que é possível ter uma suíte de escritório potente, reduzir a dependência tecnológica e manter a plena capacidade operacional.
Ao optar pelo LibreOffice, gestores podem investir recursos em capacitação de suas equipes e no fortalecimento da infraestrutura local, em vez de custos recorrentes com licenciamento fechado.
Referências
- Comunicado Oficial do Governo de Schleswig-Holstein
- Detalhes técnicos da migração (LibreOffice Conference 2024)
Sobre a The Document Foundation
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Publicação: Eliane Domingos - elianedomingos@libreoffice.org Imagem: Eliane Domingos

