Muitos interpretaram o último artigo desta série como um ataque à Microsoft por usar o formato OOXML contra os interesses dos usuários. No entanto, esse era apenas um dos meus objetivos, pois também queria conscientizar os usuários sobre softwares de código aberto falsos, como o OnlyOffice, que tem parceria com a Microsoft em uma estratégia para prender os usuários.
Os usuários já estão cientes das vantagens dos formatos padrão e abertos, pois acessam diariamente sites cujo conteúdo é acessível graças ao formato HTML. Esse é um formato padrão e aberto que foi desenvolvido e defendido por seu inventor, Tim Berners-Lee. Ele impediu que a Microsoft o transformasse em um formato proprietário com o Internet Explorer 6. Isso forçou os usuários a ter duas versões de um site: uma em formato padrão e outra em formato proprietário.
Felizmente, a estratégia da Microsoft falhou no caso do HTML porque o W3C – ao contrário da ISO – nunca reconheceu como válidas as alterações ao formato “impostas” pelo Internet Explorer. Isto porque o Internet Explorer não apresentava corretamente os sites no formato padrão. Em última análise, isto obrigou a empresa a desenvolver um navegador que cumpre todas as normas, permitindo assim aos utilizadores escolher o seu navegador preferido para acessar a qualquer site.
Se o mesmo tivesse acontecido com o OOXML, que foi reconhecido pela ISO como um padrão apesar de nunca ter sido um, os usuários hoje seriam forçados a usar o navegador da Microsoft para visualizar os sites corretamente e teriam que tolerar problemas com outros navegadores. O mesmo se aplica se eles quiserem ler e escrever arquivos DOCX, XLSX e PPTX com software de código aberto.
No entanto, usar um formato proprietário para documentos também tem outras desvantagens para os usuários. Dessa forma, eles confiam as chaves de seu próprio conteúdo a alguém que não conhecem, cujos interesses diferem dos seus. Na melhor das hipóteses, o conteúdo é compartilhado e, na pior das hipóteses, fica em risco, como infelizmente descobriu o procurador-geral do Tribunal Internacional de Justiça quando a Microsoft fechou sua conta de e-mail por ordem do presidente dos Estados Unidos.
O mesmo poderia acontecer aos usuários do Microsoft 365 se o formato proprietário fosse modificado para torná-lo ilegível ou legível apenas por aqueles com uma versão específica do software. Isso é algo que nunca poderia acontecer? Por que viver com dúvidas quando existe um formato padrão e aberto que nenhum país ou empresa pode usar como arma e que qualquer pessoa pode acessar usando um software que o manipule corretamente?
Atualmente, o LibreOffice lida perfeitamente com arquivos ODF e lida com arquivos OOXML melhor do que o Windows 365 e outros softwares lidam com arquivos ODF. O mau tratamento dos arquivos ODF “obriga” os usuários a usar arquivos OOXML, empurrando-os para o lock-in e protegendo um negócio avaliado em cerca de US$ 30 bilhões (porque o lock-in funciona como um par de algemas).
Gostaríamos que todos os softwares adotassem o ODF como formato de referência e o processassem corretamente, a fim de oferecer aos usuários verdadeira liberdade de escolha com base na funcionalidade do software — como seria correto em um mundo baseado na livre concorrência e inovação, pelo menos em teoria.
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Fonte do texto: The Document Foundation Tradução: Eliane Domingos - elianedomingos@libreoffice.org Imagem: Eliane Domingos

